Uma Piroca no Meio do Caminho (ou As Aventuras de um Pinto Abandonado)
Amigos... quem me conhece sabe que tem certas situações que só acontecem comigo. Ou não só acontecem comigo, até porque nenhuma experiência é individual, mas possivelmente eu sou uma das poucas pessoas a prestar atenção.
Tudo começou em São João de Meriti de maneira bem típica. Fui pegar meu ônibus, que já estava no ponto - essa parte não tão típica. E de São João apenas 3 ônibus passam pela minha casa, o 713, o 734 (ambos da Flores, Cosmorama e Vila Norma, respectivamente. Ambos para Cascadura) e o 751 (Vila Rica, Morro Agudo x Pavuna). Os três fazem caminhos diferentes e os três demoram horrorosamente para passar, seja na ida, seja na volta. Me senti vitoriosa pelo meu ônibus estar no ponto, nesse caso, o 734.
Sobre essa linha, ela vem de Cascadura, passando por Madureira, Rocha Miranda, Acari... Já deu pra ter uma dimensão do trajeto, certo? E já deu pra ter uma dimensão do quão cheio ele transita na maior parte dos horários, principalmente no fim da tarde, que é quando a história se passa. Mas não me lastimo por tal (pois breve completarei 15 anos), porque eu fico no ônibus até quase o ponto final. Ou seja, em algum momento eu estarei sentada. O que geralmente demora até o meio da viagem de 40 minutos, hoje levou apenas 1/8 deste tempo. 2 pontos seguintes ao que peguei o ônibus desceu um cidadão (abençoado cidadão) que estava no banco alto e unitário mais próximo ao motorista. Meu banco favorito. Onde nada me atinge. Nada me abala. E ninguém se esfrega no meu braço. Corri pro lugar como quem corre pro ser amado, alegre, saudosa e talvez até animada demais.
Me sentei e a viagem seguiu. Sem maiores casos, sem maiores problemas ou perturbações. Assim foi até Eden, bairro de São João. Mais especificamente, entre 2 pontos bem próximos da rodoviária (Eden possui uma rodoviária. Uma loucura!), lá estava ela. Caída na calçada. Esquecida pelo tempo e ignorada pela população. Resiliente em sua rigidez e tom rosa claro. Uma piroca de plástico. Não, você não leu errado. Nem aqui nem no título. E pode chamar como quiser: piroca, rola, pinto, jeba, ou pelo melhor termo segundo manda o decoro, pênis.
Um instrumento de tantas alegrias e tantas horas de prazer - pelo que me contaram, CLARO - ali jogado na calçada. Onde os transeuntes passavam, uns riam, outros se chocavam, outros resolviam escrever num blog sobre as aventuras do pinto abandonado. Mas ali estava.
Apesar da graça e do inusitado da coisa, devemos pensar numa metáfora para a vida. Leitor, eu sei que você teme pelo que sairá de minha cabeça. Eu também temo. Contudo, pense comigo: as vezes, a gente toma TANTO no cu, mas tanto, que precisamos abandonar algumas rolas pelo caminho. Sendo as rolas, os problemas da vida (e os pedestres sendo os banhistas - metáfora errada, desculpa).
Fica a lição. E a curiosidade pelo destino da jeba abandonada. Possivelmente foi queimada por uma tia da igreja. Ou alguém pegou pra jogar fora, discretamente levou para casa, passou uma água quente e usou, no melhor estilo "lavou, tá novo". Se for o caso, eu tenho pena desta alma. Mas invejo o feliz fim de tarde que teve. Desejo muitos anticorpos pro ser que tenha feito isso - se fez - e, não sendo o bastante, muitos médicos disponíveis para cuidar das consequências.
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